sábado, 12 de janeiro de 2013

RAÍZES DA CACHOEIRINHA

Pagina aberta para todos que apreciam a leitura e gostam de conhecer contos reais da história que ocorreu e seu desenvolvimento na vida real
Sua participação será valiosa nos comentários, participe comigo.
ficara sempre aberto para perguntas e respostas sobre o que quiser.
Tratarei de colocar o que penso, o que faço, o que gosto, minha família, meu bairro, minha cidade. : ....................

Quem sou? Bem : Sou uma pessoa adulta 58 anos, talvez o mais pequeno de minha família, sou casado com uma Pianista, Roseli Ribeiro a qual tivemos um único filho, muito querido, o Tiago Ribeiro , violinista.
Nós três somos o trio da Cidade de  Caieiras, que ninguém conhece, pois não tocamos música ao público juntos, más somente individualmente. o Tiago é o que se apresenta mais ao público, pois executa seu trabalho ao público em geral.
Minha istória:
Nasci em São Paulo, Capital. Bairro da Cachoeirinha, onde cresci e permaneci até 22 anos de idade.... -voltarei mais a diante sobre esse assunto.
O que você ler daqui para frente foi particularmente a vivência que com suas experiências em cada fase da sua vida. "do que me lembrar escreverei".
Nasci num bairro chamado  "Jardim Irene" ,e fica na zona norte de São Paulo.  Para quem não conhece bem , fica entre as avenidas Inajar de Souza e Avenida Parada Pinto, próximo do terminal de Onibus da  Cachoeirinha.  
Do que me lembro? Tudo o que estiver na minha mente escreverei..........
A minha família era de 11 membros no total.
Meus pais casaram-se na Cidade de Tambaú-SP, em 1937.
Após casarem vieram morar em diversas cidades do interior de São Paulo. Tenho irmãos que nasceram na Cidade de Sertãozinho, Pirassununga, Nova Odessa, Jundiaí e finalmente em São Paulo em 1956.
Nasci na Capital de São Paulo no Bairro chamado de Jardim Irene e com apenas um ano de idade, minha família, mudou-se para o Jardim Cachoeira, que ficava distante apenas dois Kilometros de distância.
Do jardim Irene não tenho quase lembranças, sei apenas dos acontecimentos do local porque meus pais me falavam como foi que tudo começou......... Era um bairro muito pobre, nós moráva-mos num barraco feito de madeira que tinha dois cômodos e éra localizado no fundo do quintal. Imaginem 9 pessoas, maioria crianças, morando deste jeito.   Más não dava para reclamar não, pois tudo que se consegue nesta vida com luta e suor têm um valor enestimável.  Foi neste lugar e nestas condições que vim ao mundo no dia 05 de maio de 1956.
Quando nós fomos gerados e ainda no ventre de nossas mães nos ouvimos os ruidos, falas e outras coisas mais que culminam na sequência quando nascemos. Quando nascemos nós não sentimos estranhos de nossos pais e irmãos porque são 9 meses de preparação para a vida.
Nos conhecemos a vós da mãe e dos demais que estão próximos no convívio familiar.
Tive sorte, pois ja tinha 8 irmãos que não paravam de falar, cantar, brincar, brigar, correr, pular....................
Mamãe neste período de amamentação ficou desnutrida e não podia me dar o peito para mamar. A solução veio através da Dona Zumira, nossa vizinha que se compadeceu e me dava de mamar. Por um bom tempo fui alimentado por Dona Zumira.
Num dia claro, as Senhoras estavam a lavar roupas na beira de um poço de água e em seus tanques batendo papo e prosiando quando num derrepente eu apareci por ali, gatinhando e passei a mão numa caneca que continha cândida e anil e bebi. ........  Nossa mãe, foi um corre, corre para me salvar e me deram água, leite e tudo de direito para que não fizesse algum mau para mim.  Enfim escapei dos problemas que poderiam ter me acontecido naquele dia.
Agradeço muito a Deus que me têm ajudado até hoje e aquelas senhoras amigas que me salvaram.
Em 1957 compramos um terreno no Jardim Cachoeira.
Quando abriu o loteamento do Jardim Cachoeira, a empresa vendedora dos lotes dava como brinde para quem compra-se um terreno, 2500 tijolos e 1500 telhas.
"Que maravilha heim"?  -hoje só em sonho, não é verdade?
O local era muito bom, terreno quase plano de 10x25, e lugar que só privilegiados poderia morar.
Bom, como o nosso poder de compra era pequeno ou quase nada, então os vizinhos e os irmãos da igreja, CCB se uniram em um multirão e foi assim construída a minha casa com quatro cômodos de 4x4 e um banheiro.
Em 1957 éra comum as casas serem construídas sem ter o devido encanamento de agua e esgoto. (hoje falamos o saneamento básico)
Avenida Projetada numero 2. este foi meu endereço.
Anos 50 foram anos dourados para nós. Em São Paulo ainda circulavam pela cidade os BONDES que logo foram substituídos por ônibus nos anos 60.
Eles circulavam pelas principais Avenidas e Ruas do Centro de São Paulo. Quem viu?..eu vi e andei pela cidade dentro deles......muito legal.
-Um determinado dia fomos à cidade no Centro, mais precisamente na Sé.   Meu pai,( Sergio C.de Lima) Trabalhava de Engraxate e ficava ali o ano inteiro. Não ganhava muito, mas ajudava a sustentar 9 filhos.
Ele também bebia uma cachacinha por Lá entre outros costumes, também jogava "palitinho com os amigos"e perdia e ganhava com tais jogos e ainda fumava muito.
As vezes chegava no final do dia -meio pra lá de Bagdá, e bravo porque alguém tinha batido sua carteira e não tinha percebido, outra ora ele encrencava com os passageiros dentro do ônibus e era pra valer, muito feroz.
Para mim, era o meu aprendizado da vida acontecendo diante dos meus olhos e ouvidos.
Sóbrio era uma excelente pessoa. Possuia vontade de fazer muitas coisas más não tinha vocação e não aceitava ordens de ninguém. Tentou tocar Acordeon, Gaita, Violão e Cavaquinho. más sempre aparecia a dificuldade e tempo para se dedicar ao instrumento. Não aprendeu nenhum. 
Ele perdeu vários empregos por ser assim meio genioso...

(-Más valeu, por sua existência pude escolher um caminho melhor para seguir na minha vida.
"Ele era mineiro de Minas Gerais"
Nasceu no ano de 1905 e faleceu em 1997. )

A nossa casa foi construída nesses moldes, com uma fossa no quintal.
Me lembro bem que nossos banhos eram com água esquentada no fogão a lenha e despejada em uma bacia grande.  Ainda não havia instalações para chuveiro, más era muito bom.
Quando usava o banheiro, tinha que ter cuidado para não cair dentro da fossa, pois ficava logo abaixo.
Bom, nessas alturas da vida, vocês nem pensam o que é viver com uma família como a minha, tinha apenas 1 aninho e minha irmã mais velha tinha 14 anos.
A ordem éra assim:
O mais velho"Serginho", tinha 18 anos, a mais velha, a "Lourdes" 14 anos,a "Olinda"12 ano,a" Terezinha"10 anos, a "Veridiana"8 anos, a "Célia"6 anos,a "Ruth"4 anos, o "Beto" 2,5 anos e Eu com um ano, depois mais outra irmã, quando eu já tinha uns 6 anos de idade veio ao mundo  a"Jussara",assim  completando a famíilia.
Para mim a vida era uma fantasia, tudo era muito lindo, todos da vizinhança, tinham filhos e crianças pequenas, adolescentes e todos os dias eram um "ZUMZUMZUM"danado no lugar. 
Haviam árvores de 50 metros de altura.  Subir nelas era uma aventura, ainda mais sem escadas.  Acreditem tinham pessoas que conseguiam subir através dos galhos. - Bom, eu,  nem pensar, era muito pequenino.
Era tão boa a vida que eu queria crescer logo para brincar com a criançada que se ajuntavam em minha casa, ou na casa deles, nossa que lindo. Nossos amigos eram eternos, as coisas jamais iriam mudar.
A casa.
A nossa casa tinham 4 cômodos, construiíos pouco mais a frente de modos que sobravam uns 5 metros na frente de casa e mais uns 10 na parte dos fundos.
Na frente minhas irmãs c/minha mãe, Dona Veridiana "in Memória","-que saudades" construíram três jardins de tamanhos desproporcionais, separados por pequenas calçadinhas de cimento e areia sendo as beiradas das calçadinhas com tijolinho vermelho.  "-Como ficou lindo", e com o crescimento das plantas e gramas que foram plantadas "doadas pela vizinhança", o mesmo tornou-se um belo jardim na frente da casa.
Nos fundos do quintal, meu Pai, Seu "Sergio, In memoria",
"-que saudades", plantou dois pés de Abacate, uma mangueira e vários pés de banana nanica. Quando chegava época de colher os frutos  com muita abundância que sobejavam. Criávamos aves, como galinhas e pombas, tinha cachorros e gatos. O nosso quintal era cercado com arame farpado, sendo os mourões as bases de sustento. Como ficava tudo aberto à vista, foi plantado o pé de buchas "que é uma planta cujo o fruto é bucha mesmo" , de tomar banho.
O Bairro:  O Jardim Cachoeira.
Para se ter uma ideia,  hoje seria semelhante ao horto florestal.  Havia muito verde, as estradas e trilhos de terrenos vazios, eram muitos os locais para nossas aventuras infantis.  Nos brincava o dia inteiro e se deixassem nos brincava até tarde da noite.  Não havia perigos como hoje, o perigo noturno era  aparecer uma cobra, uma aranha, e outros insetos da noite.
Quando chegavam as noites quentes do verão, nos brejos ao redor da casa os sapos e rãs faziam as cansões do brejo cantarolando a noite inteira. Os campinhos para brincar de bola não faltavam, podia jogar bola e outros esportes radicais da época, como rodar peão, bolinha de gude, brincar de Mana- mula, pega-pega, passar anel.  Tinham as músiquinhas que marcaram as nossas turmas para contar estorinhas, piadas e tudo o que tinha de direito.  Ha claro, nos estudava-mos também, quando chegou o tempo de estudar na escola "Grupo Escolar Paulo Setúbal", não da para esquecer.....o Primeiro Ano em 1963, nossa como foi difíssil, me lembro de ter aprendido a Ler as palavras quando estava na Lição do "Sapo"  - Lição da Cartilha Caminho Suave.   Eu tinha um pouco de mêdo de ir para escola, pois meu irmão que estudava ha mais tempo, havia tomado umas reguadas da professora e isso me deixou cauteloso a respeito das professoras do primário.- Meu Deus como era diferente o ensino comparado ao ensino de hoje.
Nós conhecia as famílias dos nossos colegas da escola, pais e mães, nos conhecia todos.  Era um mundo fantástico, lá nos também pensava no futuro o que seria de nós no futuro, a gente até comentava e imaginava como seria nos anos 2000.  Século?,  ninguém sabia o que era Século.! palavra difícil. Nos não tinha recursos que hoje, chamamos de conforto, todo lugar em que nos podia ir era a pé.  Nossos pés chegavam criar calos enormes de tanto andar no chão.  Correr, jogar bola e outras atividades tudo descalço, o meu primeiro sapato social que usei quando já menino foi de plastico, de overlon, e se usado por muito tempo, fedia igual um gambá.   Era horrível más usava aquele mesmo, era só dar uma lavada e pronto.  Passava uma vergonha que não da para falar.....  a Roupa então era demais, eu tinha uma bermuda, e alguns calções que minha mamãe costurava para nós.  A nossa pobreza era grande, más nos não percebia, parecia normal e que todo mundo era igual.   Não tinha esse negócio de reparar nas coisas dos outros.  Se alguém falasse as vezes era para chamar para uma briga de moleque que acontecia naturalmente entre nós.   Depois ficava tudo certo.
A Cachoeira:
Do bairro da cachoeirinha brotavam as fontes do rio cabuçu que deslizava mansamente uns 3 Km, entre lugares ainda desertos e chácaras onde se plantavam verduras variadas como alface, couve, beterraba, cenoura, tomate, aboboras e outras coisas mais, onde buscava-mos nossas sobremesas para o almoço e jantar.
Neste rio, ....pasmem, havia muitas especies de peixes onde se podia passar horas pescando sem nenhuma proibição.  O rio produzia os peixes pequenos e médios, tinha tartarugas, cágados, bagres, mandis, carás, guarus, traíras e cobras, frando-dágua e muito mais. Haviam pedras pequenas e grandes pelo meio das águas da cachoeira que nos proporcionava a aventuras deliciosas.  Cair na água era normal para quem morava por perto da cachoeira. Muitas vezes eu me sentei em uma pedra no meio das águas e era demais ficar ali saboreando o som das águas rolando bem próximo de mim
Das matas nos buscava-mos,  pássaros diversos, frutas silvestres em geral como goiba, ameixa, maracuja e morango etc.. tinha de tudo e gratuitos. As vezes brincando pelo meio do mato, em terrenos adjacentes ao nosso terreno, agente encontrava abóbora de mais de 10 kilos que cresciam ali, sem que ninguém notasse.
As nossas galinhas botavam seus ovos pelo meio do mato e outras vezes brincando agente encontrava o ninho carregado de ovos.  Nossa como era bom. Os coqueiros produziam coquinhos que caiam durante a noite e pela manhã logo cêdo, eu ia busca-los.  Hunm...eram deliciosos.

O largo do Japonês:
Éra um local onde terminava a Av.Dptdo Emilio Carlos e Começava a Av. Parada Pinto que conduzia para o Jaçanã.  O fim da Av. Itaberaba e Inicio da Av. Imirim .  Éra tudo simples, da Parada Pinto até o horto florestal era estrada de terra. Não havia Asfaltos naquela época. a Av.Itaberaba conduzia para Freguesia do Ó. Av.Imirim conduzia para Santana. A Av.Deputado Emilio Carlos conduzia para Limão
Quando nós crescemos naturalmente em um determinado local como o era este, tudo tinha uma indicação ou ponto de referência. Então haviam  a "Guarita"  , A Vendona,  A Cooape, O Martins, o Mané Portugues, O seu Oswaldo, A ponte. e assim marcava-se os locais, de modo que se falasse qualquer desses pontos a gente se localizava no espaço e tempo.  "Vocês entendem"
O Largo do Japonês originou-se de uma chácara que existia próxima do ponto final de Ônibus que era neste largo e que pertencia ao japonês que plantava sua horta e vivia muitos anos no local e acabou dando origem ao Largo do Japonês, pela proximidade dos locais. Isto em meados dos anos 40 e 50, eu não havia nascido ainda.
Também a vizinhança tinham seus apelidos que serviam de referências para nós, Exemplos A Dona Maria Louca, a mãe do Dode, o seu Vicente, O bigode, O marrom,  o Zé bigode e assim por diante.
Historia do rio Cabuçu foi marcante na vida de todos moradores local (Acho que o certo éra Rio Cabo Sul)
O rio era muito legal, sinto emoção em falar pois faz uma falta enorme na minha vida, depois que cresci as coisas tomaram formas e todo o progresso esperado chegou.. os loteamentos foram abertos, gente nova apareceram, foram se mudando, os espaços foram sendo ocupados, as lagoas foram secando-se, o rio foi canalizado,as árvores centenárias foram derrubadas,  enfim as coisas que pareciam ser eternas, foram destruídos pelas poderosas máquinas do governo que fez o verde desaparecer ficando a terra vermelha a mostra.
Não passou muitos anos e apareceu o cemitério da Cachoeirinha um cemitério moderno com gavetas, que xique, com gavetas. Nós os meninos da época aproveitamos as terra-planagem e divertia pulando e saltando e brincando nos precipício de terra que se formavam, conforme as máquinas empurravam a terra solta nos barrancos. Ficava mais ou menos uns 100 metros de altura, onde nós podia pular avontade, pois era uma terra macia e soltinha.  - Quando chegou o asfalto nas ruas do cemitério, nos tratamos de arrumar os carrinhos de rolemãs e que delicia.  Nos levantava vôo.
Depois começou a construção do Hospital maternidade.
A Avenida Inajar de Souza cortou da Marginal do Tiête rumo ao norte até a cachoeirinha.

A mudança:
Ocorreu quando tinha 22 anos de idade.   Foi então que caiu a ficha de que eu morava na Avenida Projetada numero 2, desde criança , sempre falei com segurança que morava neste endereço sem saber o que era um projeto.. Não é engraçado isso? Eu falava com orgulho que morava na Avenida Projetada,2.
Não imaginava que o projeto um dia fosse se realizar e tivesse que me mudar dali.
Minha mudança ocorreu quando chegaram os Homens da Lei e nos intimaram a mudar do local porque a Avenida estava chegando e iria passar bem em cima do meu terreno. E lá  fomos nós de mudança para o Jardim Rute, um bairro novo formado recentemente.
Deixamos para trás nossa estoria de vida, nossos sonhos e uma parte da nossa vida.   As vezes me lembro de como foi bom viver 22 anos no Jardim Cachoeira e como foi triste viver um futuro com as lembranças que se eternizaram em nossas entranhas de amor.
Bem, ficou as lembranças do que um dia foi a cachoeirinha em São Paulo.
Ela, continua lá, más de outra forma sub-terranea. Olargo do Japonês , intransitável, As quatro avenidas, super lotadas de gentes e carros, ônibus, Bancos e Comercio, Shopin Centers, Pizzarias, Churrascarias e muito dinheiro.
Mas a verdadeira cachoeirinha está no meu coração.  Me deleito em lembrar da bela época, de um paraíso
que existiu neste lugar onde eu cresci.
 

Savio Lima

Minha foto

Sou moreno , 59 anos, Bacharel em Ciência da Computação,

Técnico de Contabilidade,  músico saxofinista, Evangélico, sou da  CCB, sou muito feliz.

Tenho uma família de Músicos.

Trabalho como Autônomo nas Redes Sociais da Internet Apresento produtos Digitais e Outros.